domingo, 10 de abril de 2016

Direito Educacional e outros conceitos

     O profissional versado em Direito tem inúmeras possibilidades de exercício nesse ambiente. Segundo Henrique Trócoli Júnior: "O Direito educacional é um novo ramo da ciência jurídica ainda não plenamente reconhecido como tal pela comunidade dos operadores do direito. O Direito é uma ciência una, concatenado em um sistema, dotado de princípios, regras, metodologia e objeto próprios, que o distingue das demais ciências humanas e naturais.". É um sistema, na descrição de Norberto Bobbio: "Entendemos por 'sistema' uma totalidade ordenada, isto é, um conjunto de entes dentre os quais existe uma certa ordem. Para que se possa falar em ordem, é necessário que os entes constitutivos não estejam em relação apenas com o todo, senão que também estejam em relação de coerência entre eles." Ademais, além de ser uma ciência social, é também uma ciência normativa, ou seja, baseada em regras deontológicas, que determinam comportamentos, visando à ordenação social, exercendo coerção, sob ameaça de sanção.". Essa atitude é comum. 
     Enfatiza assim: "Com a complexidade crescente das relações jurídicas, especializar os ramos de conhecimento jurídico é, segundo a teoria dos sistemas de Niklas Luhmann, condição para evitar o caos, e auxilia o operador do direito a reconhecer fatos jurídicos típicos específicos em determinadas relações jurídicas, conferindo-lhes maior precisão e desenvoltura, sempre com vistas à coerência do sistema normativo, à manutenção da legitimidade das normas e à realização da justiça." Por coerência, na conceituação de Irandé Antunes, temos: "A coerência não é, portanto, uma propriedade estritamente linguística nem se prende, apenas, às determinações meramente gramaticais da língua. Ela supõe tais determinações linguísticas; mas as ultrapassa. E, então, o limite é a funcionalidade do que é dito, os efeitos pretendidos, em função dos quais escolhemos esse ou aquele jeito de dizer as coisas. Em síntese: a coerência é uma propriedade que tem a ver com as possibilidades de o texto funcionar como uma peça comunicativa, como um meio de interação verbal. Por isso, ela é, em primeira mão, linguística. Não se pode avaliar a coerência de um texto sem se ter em conta a forma como as palavras aparecem, ou a ordem de aparição dos segmentos que o constituem. O texto supõe uma forma material, e essa forma material supõe uma organização padronizada, definida.". 
     Acentua que: "O Direito educacional ou da Educação ou Educativo é o ramo do direito que visa reconhecer, descrever e fomentar as normas e relações jurídicas cujo objeto seja a educação e o ensino, nos moldes em que postas pela Constituição Federal de 1988 e pelas normas infralegais componentes deste subsistema normativo, cujo ambiente/entorno é constituído pelos demais ramos do direito, principalmente o Direito Constitucional, Administrativo, Civil, Penal, Ambiental, do Consumidor e Tributário, além das ciências da educação (pedagogia, psicologia, sociologia, filosofia etc).". Na visão de Renato Alberto Di Dio, precursor do Direito Educacional, "esse seria o conjunto de normas, leis e regulamentos que versam sobre as relações de alunos, professores, administradores, especialistas e técnicos, enquanto envolvidos, mediata e imediatamente, no processo ensino-aprendizagem.". Esse ensino, como o homescholling ou ensino doméstico, ministrado no domicílio do estudante, por um familiar ou por pessoa que com ele habite, em oposição ao ofertado por instituição de ensino, pública ou privada. Aliás sobre essa questão, deverá o STF pronunciar-se:"




MEC
STF, Luís Roberto Barroso, ECA, MEC Crédito Elza Fiúza/ABr
Luiz-Orlando-Carneiro
Por Luiz Orlando Carneiro Brasília
O Supremo Tribunal Federal (STF) vai decidir se o ensino domiciliar (“homeschooling”) deve ser proibido pelo Estado ou “viabilizado como meio lícito de cumprimento, pela família, do dever de prover educação”, tal como previsto no artigo 205 da Constituição.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (artigo 55)- que é uma lei ordinária – dispõe, por sua vez, que “os pais ou responsáveis têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino”.
Por maioria de seis votos, o plenário virtual do STF reconheceu, na última sexta-feira (5/6), a existência de repercussão geral da questão suscitada em recurso extraordinário (RE 888.815) contra acórdão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) pela inexistência de direito líquido e certo ao sistema educacional domiciliar.
O relator do recurso ao STF, ministro Luís Roberto Barroso, manifestou-se pelo reconhecimento do caráter constitucional e da repercussão geral do tema. Foi acompanhado pelos ministros Luiz Fux, Marco Aurélio, Celso de Mello, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. Ficaram vencidos, nesta fase virtual, Dias Toffoli e Teori Zavascki. Não se manifestaram as ministras Cármen Lúcia e Rosa Weber.

Manifestação do relator
Os principais pontos da manifestação do ministro Roberto Barroso são os seguintes:
– “No caso, discutem-se os limites da liberdade dos pais na escolha dos meios pelos quais irão prover a educação dos filhos, segundo suas convicções pedagógicas, morais, filosóficas, políticas e/ou religiosas”.
– “Ressalta-se que a Constituição Federal de 1988 prevê a educação como direito fundamental, cuja efetivação é dever conjunto do Estado e da família. No art. 208 da CRFB/1988, são previstos tão-somente os meios pelos quais será efetivada a obrigação do Estado com a educação. A controvérsia envolve, portanto, a definição dos contornos da relação entre Estado e família na educação das crianças e adolescentes, bem como os limites da autonomia privada contra imposições estatais”.
– “O caso em questão, apesar de não ser frequentemente judicializado, não está adstrito ao interesse das partes que ora litigam. Segundo a ANED (Associação Nacional de Educação Domiciliar), após o reconhecimento pelo MEC da utilização do desempenho no Enem como certificação de conclusão de ensino médio, em 2012, o número de adeptos do ‘homeschooling’ no Brasil dobrou, e atingiu 2.000 famílias”.
– “Aqui eu já parto para a minha pesquisa, feita no ano passado com 62 pais educadores, em um universo, estimando pela Aned e por outros estudiosos, de 600 a 2.000 pais educadores no Brasil, pais que educavam em casa 117 crianças e adolescentes. Os pais estavam espalhados por 11 Estados e o Distrito Federal, em todas as regiões do país; mais ou menos cerca da metade em Minas Gerais”.
– “O perfil demográfico dos pais. Em média, eles têm 37 anos, são casados, cristãos a grande maioria, mais de 90% têm o nível de escolaridade e renda familiar acima da média”.
– “Mais dados. Os pais que educam em casa no Brasil e que participaram da minha pesquisa gastam 183 reais por mês com educação em casa. É bem menos do que o custo da escola privada no Brasil e um pouco menos hoje do que o custo da educação básica pública brasileira. Em maio, o MEC atualizou o valor do gasto mínimo por aluno na educação básica para 2.222 reais. Por mês, são 185 reais. É mais cara do que a educação em casa praticada pelos pais que participaram da minha pesquisa, hoje. À época, era mais caro educar em casa, pelo menos para os pais que participaram”.
– “Outro dado é que os pais estão combinando as abordagens da educação: 30% dos pais que participaram da pesquisa disseram que consideram a abordagem, o método que eles aplicam, eclético. Ou seja, eles estão tentando a educação clássica, a aprendizagem natural, ‘unschooling’, aprendizagem estruturada, vários métodos da educação em casa. E 84% dos pais disseram que educam em casa e que seguem uma aprendizagem estruturada com pelo menos 4 horas por dia de atividades planejadas por eles. Ou seja, é uma abordagem mais ou menos próxima daquela agenda de estudos da escola convencional”. O debate está aberto. Cabe aos interessados buscar participar e explorar conforme lhes convenha.




sábado, 2 de abril de 2016

O Riso e a Primeira Lei de Murphy

     1) "Ria e sinta-se bem." (Mathew Green); 2) "De todos os dons com que a natureza abençoou os seres humanos, uma boa gargalhada deve sempre estar no topo da lista." (Norman Cousins); 3) "Da vida não se leva nada e o prazer de ter vivido alegremente é uma das forças que nos movem permitindo melhor viver. E para viver bem, rir é o melhor remédio, nem que seja de nós mesmos. Aos que conseguirem chegar a este estágio, a certeza de que ficamos mais leves quando sublimamos e conseguimos rir dos nossos próprios defeitos." (Antônio Inácio Ribeiro); 4) "[...] Precisamos saber apreciar as coisas que nos ajudam a manter o equilíbrio, que nos impedem de sermos esmagados sob o peso da seriedade e que podemos usar para manter nossa serenidade. Falo de outra das grandes verdades. Seres humanos precisam se divertir. Precisamos brincar e, mais importante, precisamos rir. A vida pode ser dura e muitas vezes injusta, mas isso não quer dizer que precisa ser intolerável. E certamente não quer dizer que não possamos aproveitá-la. Humor é o que mais nos ajuda.[...] Thomas Edison e Albert Einstein não são exatamente os primeiros nomes que vêm à nossa mente quando pensamos em brincadeiras e em humor. Mas o fato é que ambos atribuíam seu sucesso nas áreas sérias da vida ao fato de reconhecerem a importância das áreas menos sérias. Os dois descobriram cedo em suas vidas que trabalhar muito duro ou pensar muito intensamente durante longos períodos faz mais mal do que bem. É por isso que as pessoas precisam de pausas no seu trabalho e que os estudantes são aconselhados a fazer pausas no estudo. A mente é exposta a uma tensão excessiva quando fica submetida tempo demais à seriedade. O humor e as brincadeiras quebram a tensão. São quase lendárias as histórias sobre a capacidade de Edison de trabalhar por longas horas e de suportar milhares de frustrações. Já os métodos para suportar suas famosas maratonas de experiências científicas são menos conhecidos. Edison mantinha uma cama no seu laboratório. Costumava fazer pausas frequentes porque sabia que a mente só trabalha de modo criativo quando está em estado de respouso. Edison também descobriu que o humor deixava sua mente mais à vontade. Além de encher centenas de cadernos com equações científicas, ele encheu vários outros apenas com piadas. Achava que esse alívio cômico era de grande utilidade tanto para ele como para sua equipe. Usava esse recurso para quebrar a tensão e elevar o moral. Mais tarde ele diria que as pessoas que riem juntas podem trabalhar mais tempo, mais intensamente e com maior eficiência. Em que pensamos quando ouvimos o nome de Albert Einstein? Genialidade? Inteligência? Física? Na Teoria da Relatividade? Provavelmente pensamos em tudo isso. Mas, segundo o próprio Einstein, algumas das chaves para a sua vida estavam na simplicidade, na fantasia e na disposição para brincar. Ele dizia: 'Tudo deve ser feito da maneira mais simples possível.' Einstein disse a um grupo de de estudantes de Princeton que não teria nenhum interesse pelas leis da física se elas não pudessem ser tornadas bem simples. Um dos meios pelos quais ele tornava as coisas simples era através das brincadeiras. Os que fizeram pesquisa sobre a sua vida ficaram surpresos ao ver como Einstein era uma pessoa brincalhona. Ele literalmente ficava 'vagabundando' em torno de ideias e números porque sabia que suas descobertas acabariam vindo à tona em meio a essas brincadeiras. Einstein nos deixou uma grande lição: brincar é uma das melhores maneiras de simplificar a vida. É o que fazemos quando somos crianças e tantas vezes esquecemos mais tarde ao longo da vida. [...] Há milhares de anos um homem sábio conhecido como Salomão escreveu seus famosos provérbios. Entre eles há um que diz: 'Um coração alegre é um bom remédio, mas um espírito esmagado acaba por secar os ossos' (17:22). [...] Um bom lugar para começar a rir é sua própria casa. É importante sermos capazes de rir de nós mesmos. Não perca de vista o personagem cômico que temos dentro de nós. As pessoas que sabem rir de si mesmas nunca vão sofrer por falta de diversão. A verdadeira chave está em procurar. Há um velho ditado que diz que geralmente encontramos aquilo que procuramos. E há muita comédia e muitas gargalhadas à nossa espera. Não consigo imaginar uma busca mais saudável. Ria e sinta-se bem. Mathew Green". (Hal Urban - As Grandes Lições da Vida). Terminamos com a lembrança de uma entrevista de rádio com um advogado especialista em heranças falando sobre doações feitas em vida. Dizia o entrevistador: - Então, resumindo, caso eu faça uma doação de meus bens em vida, se eu morrer meus herdeiros não vão passar pelo procedimento da legitimação do testamento. - Não é SE você morrer - corrigiu o advogado -, é QUANDO você morrer. Daí o entrevistador pergunta ao médico: qual a taxa de mortes aqui? Responde um valho sábio: uma por pessoa. Está bem, dirá você, mas medicina não é sobre morte, é sobre vida. Então vamos recordar mais uma anedota atribuída a Mark Twain, quando este consultava o médico. Disse Twain: então doutor, se eu fizer tudo que o senhor recomendou, ou seja: parar de beber, fumar e cair na farra, o senhor garante que vou viver muito tempo? Respondeu o médico: o que posso prometer é que vai parecer muito tempo. E a primeira lei - de Murphy - do olheiro: observando, você observa muita coisa.

sábado, 26 de março de 2016

Atalhos e Caminhos

     Quem procura atalho procura trabalho: reza o dito popular. Na linha desse trocadilho, Eduardo Almeida (publicitário, palestrante, escritor) escreveu, sob o título acima: "Vire à esquerda, eu conheço um atalho, sinalizou meu amigo Marcos com entusiasmo, pois estávamos perigosamente atrasados para uma apresentação de projeto. Ocorre que o tal "atalho" se converteria em uma verdadeira epopeia na procura de nosso destino por mais de uma hora, fazendo-nos assim perder a reunião e a perspectiva de um importante contrato. Ou seja, em apenas uma hora (e um atalho) jogamos fora o que demoramos semanas para preparar. Mais de 15 anos passados do episódio, fico me perguntando quantas vezes tentei encontrar "atalhos" em minha vida - rotas que me levassem de forma rápida e segura ao meu destino. Certamente não foram poucas, ma por fim entendi: a vida não tem atalhos! Com esta súbita compreensão, descobri que para chegar ao meu destino não precisava de atalhos, mas sim de consistência. Quem procura atalhos já demonstra que não está preparado para o esforço, o sacrifício e a dedicação que fazem parte de todos os grandes projetos de vida. Hoje sei que eu certamente não estava. Nesse processo, felizmente compreendi também que vencer na vida não significa correr para alcançar o sucesso: significa antes caminhar diligentemente em direção à grandeza. Qual a diferença? Pessoas que buscam o sucesso têm muita pressa, pois se sentem incompletas e, por esse motivo, precisam que outras lhes digam qual é o seu valor. Assim, na esperança de se sentirem valorizadas, compram tudo o que não precisam, com o dinheiro que não têm, para impressionar quem não gostam! Já quem busca a grandeza o faz por reconhecer seu próprio valor (ou seriam valores?). Este é o caso de Steve Jobs, Bill Gates, mas também de exemplos como nossa querida Zilda Arns, que, inconformados com a sociedade, tentaram criar produtos, serviços ou projetos que a ajudassem a melhorar. Devido ao trabalho que realizo, tenho o prazer de conviver com grandes profissionais e seres humanos. E com isso posso afirmar sem medo que, para a grande maioria deles, suas carreiras e vidas são sempre pautadas pela busca da grandeza muito mais do que pelo sucesso. Sim, eu não nego que existem no mundo do trabalho (e da política) aqueles a quem chamo de "tartaruga sobre o poste" - gente que para estar onde está, certamente foi colocado lá, pois não demonstra ter competência ou fibra moral para ter subido por seu próprio mérito. Mas esses são sempre cercados por medos e inseguranças, justamente por saberem que "os atalhos" que tomaram não os prepararam para as batalhas que agora enfrentam. Por isso hoje, talvez mais sábio, quando me deparo com uma encruzilhada, procuro sempre fugir dos atalhos, escolhendo assim os caminhos que foram menos trilhados. Entendi que esses, se não são os mais fáceis ou rápidos, certamente sã os que mais me fazem crescer. Afinal, tão importante quanto o nosso destino é o que aprendemos em nossa caminhada, não é mesmo? Então, se você concorda com isso, aqui lhe deixo um importante questionamento: para que tanta pressa?
     Essa narrativa traz várias e importantes lições, razão pela qual tomei a liberdade, com a possível licença presumida do autor, em divulgá-la. Eis o entendimento de que: "O vento nunca é favorável a quem não tenha um porto de chegada previsto." (Sêneca), ao mesmo tempo em que "[...] ninguém determina do princípio ao fim o caminho que pretende seguir na vida; só nos decidimos por trechos, na medida em que vamos avançando" (Montaigne). Com lições dessa envergadura, passos firmes e corajosos, a meta, qualquer que seja ela, será atingida. Meta é, conforme Couture, em suas acepções latina e grega, respectivamente, o término de uma carreira e o que o transcende. Por esse motivo, nunca saberemos, até que ponto a vitória é um fim ou um novo começo, e em função de que misteriosas razões, nas expressões superiores da advocacia, não há outra conquista senão aquela que deixa abertos, indefinidamente, entre nós, os caminho do bem e da virtude.

domingo, 20 de março de 2016

A Arte de Escrever Bem

     Dad Squarisi e Arlete Salvador escreveram, sob o título acima, excelente livro. Na apresentação, dizem: "É possível escrever bem. Escrever está na moda. As novas tecnologias de comunicação, quem diria, ressuscitaram o valor da escrita. Já não se escrevem cartas como antigamente, mas concisas mensagens eletrônicas. Já não se admitem relatórios longos e complexos. E os vestibulares? Estudante não entra na faculdade se falhar na redação. Nunca se precisou tanto da escrita quanto agora. Ensinar a escrever é tarefa para professores. Jornalistas podem contribuir para aprimorar a técnica de repórteres mais jovens. Profissionais da imprensa são forjados na prática. Trabalham com a experiência adquirida ao longo dos anos de atividade. Gerações deles foram educadas nos gritos das redações e na humilhação pública, quando suas matérias eram jogadas na lata do lixo. Ajuda vale mais que gritos. Este livro se propõe ajudar estudantes a escrever bem. Temos clareza das limitações do desafio. Escrever é atividade complexa, resultado de boa alfabetização, hábito da leitura, formação intelectual, acesso a boas fontes de informação e muita, muita prática. Além, é claro, de algo que vem de Deus ou do DNA, quem sabe? - o talento individual.[...]".
     Nesse caminho de ajuda, Luiz Antônio Marcuschi, ao apresentar o livro (Lutar com Palavras), da Professora Irandé Antunes, o faz: "TUDO O QUE VOCÊ QUERIA SABER SOBRE COMO CONSTRUIR UM BOM TEXTO SEM SE ESTRESSAR. Este trabalho da professora universitária e pesquisadora de língua portuguesa, Irandé Antunes, é mais do que um trabalho sobre a coesão e a coerência textuais. É, sobretudo, um exercício de tradução, em palavras simples e compreensíveis ao leigo, daqueles conceitos teóricos e técnicos que aparecem nos sisudos manuais de língua textual. E que muitas vezes passam, sem qualquer mediação explicativa, para os livros didáticos, e a professora ou o professor sequer conseguem saber do que se trata. A capacidade de dizer de maneira simples o complexo é uma das tantas virtudes da obra que você está começando a ler. De fato, é comum que as professoras e os professores, no ensino fundamental e médio, e também no nível universitário, assinalem nas margens de redações ou de trabalhos de curso expressões como "falta coesão" ou "não tem coerência". Mas o que está mesmo faltando neste caso? O que deveria ser feito para suprir a tal lacuna de coesão e coerência? É disso que esta breve e substantiva análise trata com naturalidade e muita intimidade, com se estivesse ensinando a fazer uma comida gostosa. E tudo isso sem dar receitas simples ou superficiais, além de mostrar a segurança de quem tem uma longa experiência neste tipo de assunto. Digo isto porque conheço Irandé Antunes e seu trabalho sério de há muito tempo, desde que se ocupava dessas questões no começo da década de 1980, quando escreveu sua dissertação de mestrado sob minha orientação, tendo em seguida desenvolvido tese de doutorado sobre a coesão textual na Universidade de Lisboa, que acabou se transformando no primeiro livro didático exclusivamente ao assunto no Brasil. Esta familiaridade com o tema, aliada a uma enorme experiência com professores da rede pública no ensino fundamental e médio, bem como em universidades públicas e particulares, deu à autora uma sensibilidade incomum para o tom adequado à exposição que atinge o leigo e não enerva o técnico e teórico exigente, pois não é superficial. Essas virtudes vêm aqui aliadas a um texto muito bem humorado e escrito com paixão e carinho, pensando sempre nos leitores. Sob o ponto de vista teórico, a autora mostra parte da ideia de que a língua não se acha confinada às regras da gramática, nem é uma questão de certo e errado, mas é uma atividade social que cria as condições da interação e dos processos comunicativos em geral. Além disso, sustenta que "escrever é, como falar, uma atividade de interação, de intercâmbio verbal. Por isso é que não tem sentido escrever quando não se está procurando agir com outro, trocar com alguém alguma informação, alguma ideia, dizer-lhe algo, sob algum pretexto". Escrever é uma atividade que exige um movimento para o outro, definindo este outro como seu interlocutor. E é nesta relação que o próprio autor se constitui. Ninguém escreve sem um destinatário. É claro que, nessa visão, o que mais conta não vai ser a ortografia nem a simples regra de concordância e sim o desenvolvimento das ideias e a distribuição dos tópicos, a seleção lexical, a contextualização, o estilo que vão produzindo a adequação da escrita. Para autora, "isso equivale a admitir que a coerência do texto é: linguística, mas é também contextual, extralinguística, pragmática, enfim, no sentido de que depende também de outros fatores que não aqueles puramente internos à língua". A língua enquanto sistema de formas não comanda tudo. Baseada nessas premissas, Irandé Antunes, conhecida por seu trabalhos sobre língua portuguesa numa linha inovadora e ligada à linguística textual e à análise da sociointeração, desenvolve uma série de argumentos mostrando como os textos são muito mais do que simples formas. Como apontado, o núcleo das observações recai nos processos de coesão e coerência. Mas o que é coesão? Como observá-la? Que faz o aluno quando o professor escreve que seu texto não tem coesão ou lhe falta coerência? Certamente, não se trata de trocar uma palavra, acrescentar ou mudar um conectivo, nem de melhorar o parágrafo ou adequar os tempos verbais e as concordâncias verbo-nominais. Lendo o livro, ficará claro do que se trata, efetivamente. Esta clareza é dada também por outra característica singular da autora: a farta exemplificação com trechos da literatura, do jornalismo e de obras científicas. Em suma, aqui o leitor encontra uma introdução à produção textual escrita em linguagem acessível. Segundo as próprias palavras da autora, ela pretende trazer algumas noções básicas, acerca da propriedade textual da coesão e de sua relação com a coerência, com o objetivo de se compreender mais ainda essas noções e, assim desenvolver nossa competência para falar, ouvir, ler e escrever textos, com mais relevância, consistência e adequação. Parece pouco, mas é muito, e talvez seja quase tudo o de que necessitamos para tratar questão tão difícil e ao mesmo tempo tão decisiva. [...] Neste livro você vai aprender como organizar o aspecto linguístico em consonância com este algo mais. E o mais importante: você não precisa ser um técnico em linguística para entender do que se trata e começar a agir na sua produção textual com maior segurança. Aproveite!"

domingo, 13 de março de 2016

Lições para uma vida boa e o culto e certos valores

     A palavra lição, aproximadamente, quer significar: aula; tema de aula; tarefa escolar; ensino de uma matéria durante determinado espaço de tempo; exemplo dado por uma pessoa a outra ou obtido por experiência própria; punição; ensinamento; combate à mediocridade, à superficialidade, ao rasteiro, ao vulgar; advertência severa e ponderada; exaltação das mais elevadas faculdades do homem; a exaltação da inteligência, da força de vontade e do sentimento, dentre outros. Assim é que depois de anos estudando história, filosofia e psicologia, com essa plataforma, Hal Urban compreendeu que a felicidade, o sucesso e a realização humana podem ser reduzidos a alguns princípios que qualquer pessoa pode colocar em prática na própria vida. Professor premiado, que durante 35 anos se dedicou a ensinar jovens e adultos, ele relacionou 20 lições (As Grandes Lições da Vida, Rio de Janeiro, Sextante, 2004), que considera essenciais para estabelecer boas relações com as pessoas, definir objetivos de vida e adotar os hábitos necessários para alcançá-los, saber apreciar as próprias qualidades e se empenhar para realizar todo o potencial. Sem propor fórmulas mágicas, ele trata de valores comprovados. Diz ele: "Fui professor durante 35 anos e adorava cada minuto do meu trabalho. Vivia no melhor dos mundos - ensinava a adolescentes em turmas do segundo grau, a adultos numa universidade administrada por jesuítas e dava palestras em escolas primárias para crianças das séries intermediárias. Descobri há muito tempo que, independentemente da idade, as pessoas mostram-se ansiosas por aprender quando isso significa compreender a vida mais profundamente e vivê-la de um modo mais pleno. As cartas e e-mails que recebo de crianças, adolescentes e adultos confirma este fato. Santo Inácio de Loyola, um dos maiores educadores do mundo, disse certa vez que só aprendemos quando estamos prontos para isso. Ao longo de toda a minha vida, nunca presenciei uma época como a de hoje, na qual tantas pessoas estão não apenas abertas à aprendizagem, como também dispostas a reexaminar seus valores e prioridades. Depois de passar por um período de progressos sem precedentes nos campos econômico e tecnológico, nosso mundo enfrenta uma turbulência. O fenômeno ponto-com das empresas da Internet sofreu uma implosão; a Bolsa de Valores e a economia estão em queda livre; os acontecimentos de 11 de setembro de 2001 não apenas nos angustiaram como fizeram com que nos déssemos conta de nossa fragilidade, e os escândalos recentes envolvendo grandes corporações também nos deixaram chocados e consternados. Na condição de alguém que estudou e ensinou história durante muitos anos, sei que tempos difíceis acabam por estimular o que há de melhor em nós. Quando as pessoas começam a se perguntar o que é realmente importante, geralmente chegam às respostas certas. Fico contente e honrado com o fato de o meu livro estar colaborando com este processo. As escolas - do primário até a faculdade - têm a difícil tarefa de promover o conhecimento e desenvolver habilidades. Mas falta algo no currículo. Não ensinam aos estudantes coisas sobre a vida em si, sobre como ela funciona e o que é essencial. E nunca foi tão necessário ensinar isso. Precisamos de outro lugar além da proverbial "dura escola da vida" para adquirir as ferramentas com as quais podemos ser bem-sucedidos. Precisamos de ajuda para desenvolvermos as atitudes e os meios necessários para estabelecer relações satisfatórias, para definir e alcançar metas pessoais e para saber apreciar nosso próprio valor. Como educador, senti por muitos anos essa necessidade. [...] Então escrevi este livro para preencher essa lacuna, para nos ajudar e a nossos filhos a entender o que é importante, o que significa ter um bom caráter e o que significa ter sucesso na vida. Há alguns anos, ao participar de uma conferência, ouvi um psicólogo dizer que, quando uma pessoa chega à idade de 18 anos, ela já foi oprimida mais de cem mil vezes. Não sei como ele chegou a essa cifra, mas não me surpreendeu. Essa é a verdade: nós nos deixamos mesmos abater e oprimir demais. Este processo de abatimento e opressão começa numa idade ainda tenra, tem sua origem numa variedade enorme de fontes e continua pela vida adulta afora. Como se não bastasse isso, o noticiário da mídia nos diz o que há de errado com o mundo e com seus habitantes. Esta carga de mensagens negativas também tem seu preço. Quanto maior for a frequência com ouvimos algo, maior será a probabilidade de acreditarmos no que nos é transmitido. Meu objetivo não é examinar por que isso acontece, mas simplesmente mostrar que esta é uma das verdades lamentáveis a respeito da vida. Escrevi este livro porque acredito que precisamos de ajuda para focarmos nossa atenção no outro lado da humanidade. Acredito que a esmagadora maioria das pessoas no mundo é obediente às leis, dedicada e responsável. Mas não atrai nenhuma publicidade por ser assim. Ser bom não dá notícia. Também acredito que a maioria das pessoas se subestima. Temos boas qualidades que ignoramos, temos recursos interiores que ainda não descobrimos e temos oportunidades com as quais nem sonhamos. Espero que este livro traga à tona algumas coisas positivas num mundo que parece apegar-se aos elementos negativos. Encontrar o lado bom da vida pode ser um dos nossos maiores prazeres. Mais ou menos um ano antes de eu escrever o primeiro rascunho deste livro, dei uma palestra chamada "O verdadeiro significado do sucesso" para um grupo de estudantes universitários. Comecei chamando atenção para algumas das mensagens com que somos constantemente bombardeados. Queria que eles soubessem que minha mensagem iria justamente no sentido contrário. Comecei então dizendo o que eu não tinha: eu não tinha "segredos" nem "fantásticas novas técnicas" de como atingir o sucesso, nenhuma "fórmula mágica" para a felicidade perfeita, nenhum método "rápido e fácil" para tornar-se rico e poderoso, nenhum método "raro" para obter tudo o que se quer. Em vez disso, falei naquele dia sobre alguns valores eternos como respeito, bondade, honestidade, apreço, desejo, trabalho duro, compromisso e a capacidade de ser uma boa pessoa. Coloquei minha ênfase no fato de que não existem nenhum atalho, nenhum caminho fácil e nenhum novo método para atingir o verdadeiro sucesso. É algo qua ainda precisamos fazer por merecer. Fiquei ao mesmo tempo surpreso e contente ao ver quantos estudantes vieram me procurar depois da palestra. Um deles falou: "Sabe, você na verdade não disse nada que eu não tivesse ouvido antes, mas juntou as coisas de um modo que elas passaram a fazer sentido. Você realmente lançou uma nova luz sobre algumas velhas verdades". Então, um professor mais maduro que estava por perto disse: "Obrigado. Todos nós precisamos de que nos lembrem o que é realmente importante." Ali estavam um jovem que acabara de entrar na faculdade e um homem mais velho aproximando-se do fim da sua carreira me dizendo a mesma coisa. Puxa, como adorei aqueles dois! Eles me ajudaram a decidir que eu tinha de escrever o livro.". Nesse livro, o Professor relaciona e explica aquilo que denominou de princípios: 20. São eles: "1. Sucesso é mais do que ganhar dinheiro; 2. A vida é dura... e nem sempre justa; 3. A vida também inclui diversão... e é incrivelmente divertida; 4. Vivemos por opção, não por acaso; 5. Atitude é uma escolha - a mais importante que você fará na vida; 6. Os hábitos são a chave para todo sucesso; 7. Expressar gratidão é um hábito - o melhor que você pode ter; 8. Boas pessoas constroem suas vidas com base no respeito; 9. Honestidade ainda é a melhor política; 10. Palavras amáveis não custam nada, mas obtêm muito; 11. A verdadeira motivação vem de dentro; 12. Metas são sonhos com prazos determinados; 13. Nada substitui o trabalho duro; 14. Você tem de abrir mão de alguma coisa para conseguir o que quer; 15. Pessoas bem-sucedidas não encontram tempo - elas fazem o tempo; 16. Só você pode aumentar sua auto-estima; 17. O corpo precisa de alimento e exercício - a mente e o espírito também; 18. Tudo bem se você falhou - já aconteceu com todo mundo; 19. A vida é mais simples quando sabemos o que é essencial; 20. O essencial número 1 é ser uma boa pessoa.". Com essas indicações fica fácil perceber que o culto a certo valores é a chave para o êxito. O culto aqui doutrinado visa, realmente, à grandeza como valor moral, intelectual e cultural, para o aperfeiçoamento da personalidade. O que se deseja é colher no exemplo o estímulo para crescer, e nas lições a luz para bem orientar a nossa vida, que, para ser digna de ser vivida, deve ser cheia de sentido e significação. Mostram-nos a história e as biografias que há diversos meios para chegar à grandeza. Uns a alcançam pela ideia, outros pela ação; alguns pelo sofrimento e outros pela vontade. O caminho da grandeza é o caminho áspero do esforço e do trabalho, e só é realmente grande quem beneficia a humanidade por pensamentos, atos, obras e realizações. O culto a certos valores, como os descritos, é o caminho da perfeição sempre almejada pelas almas sedentas de verdade, beleza, bondade e justiça.

domingo, 6 de março de 2016

Os Analectos: um roteiro seguro para uma vida boa.

     1º) "No princípio //Não havia existência ou inexistência// O mundo era energia não revelada...// ELE vivia, sem viver, por SEU próprio poder// E nada mais havia...//" (Hino da Criação, do Rig Veda.); 2º) "O que for a profundeza do teu ser, assim será teu desejo. O que for o teu desejo, assim será tua vontade. O que for tua vontade, assim serão teus atos. O que forem teus atos, assim será teu destino." (Brihadaranyaka Upanishad IV, 4.5).
     Os analectos são uma compilação de ensinamentos de Confúcio (551-479 a.C) realizada pelos seus discípulos após a morte do mestre e de uma influência incomensurável no oriente, principalmente na China. Mais do que uma filosofia, trata-se de de uma 'visão de vida': o ponto central da obra de Confúcio, o homem moralmente ideal e como atingir tal excelência moral, é algo a ser construído aos poucos e a todo momento, nas pequenas ações diárias. Se a meta de Confúcio era a excelência moral e de caráter, ao alcance de todos os homens, os meios para se chegar a ela eram o cultivo da benevolência, sabedoria e coragem. De tão rico e sutil, o pensamento de Confúcio dificilmente pode ser parafraseado ou resumido. Assim, por tratar de questões como respeito aos mais velhos, os deveres de cada um e a necessidade de uma pessoa buscar coerência entre o que diz e o que faz, Os analectos tornam-se um contraponto essencial no mundo de hoje, de decadência de valores morais.
     Os analectos/Confúcio; tradução do inglês de Caroline Chang; tradução do chinês, introdução e notas, [glossário de nomes e apêndices sobre a vida de Confúcio e de seus discípulos] de D.C.Lau; Porto Alegre, RS:L&PM, 2007): "Para ter responsabilidade moral, ele acreditava, um homem deve pensar por si próprio. Essa crença fez com que Confúcio desse tanta importância ao pensamento quanto ao aprendizado. [...]". Na introdução escrita por D.C. Lau, colhe-se alguns fragmentos: "[Filósofos interessados no campo da moral geralmente podem ser divididos em dois tipos: aqueles que se interessam pela essência moral e aqueles que se interessam pelos atos morais. [...] Obrigações políticas têm sua raiz nas obrigações familiares. [...] Benevolência (jen) é a qualidade mais importante que um homem pode ter. [...] Um homem (jen) sem consistência não dará nem um xamã nem um médico. [...] A capacidade de tomar o que está ao alcance da mão como parâmetro pode ser considerado o método de benevolência. [...] Um homem sábio nunca fica indeciso no seu julgamento sobre o certo e o errado. [...] Outro atributo do homem sábio é que ele conhece os homens. [...] Merece ser um professor o homem que descobre o novo ao refrescar na sua mente aquilo que ele já conhece. [...] Um homem deve ser respeitável nas suas relações com os outros porque desse modo ele pode evitar insultos e humilhações. [...] Retidão é basicamente uma característica de atos, e sua aplicação a pessoas é derivativa. Um homem é correto apenas na medida em que faz o que é certo. A retidão dos atos depende da sua conveniência moral nas das circunstâncias e tem pouco a ver com a disposição ou a intenção da pessoa que age. É aqui que a distinção entre agente-ético e ação-ética se torna relevante. [...] O governo pela virtude pode ser comparado à estrela Polar, que comanda a homenagem da multidão de estrelas sem sair do lugar.[...] Aqueles que nascem com conhecimento são os mais elevados. [...] O estudo, (...) é um árduo processo que nunca termina.[...] Finalmente, Confúcio disse que se ele elogiava alguém, podia-se ter certeza de que esse alguém havia sido testado. [...] Eis aqui um homem que, de fato, apreciava as alegrias da vida." (D.C.L). Um livro para ser estudado muitas vezes. Um livro obrigatório para quem perdeu O Profeta de Kahlil Gibran. Aqui está um roteiro seguro para quem quer construir um futuro melhor. Somos todos viajantes de uma jornada cósmica - poeira de estrelas, girando e dançando nos torvelinhos e redemoinhos do infinito. A Vida é eterna. Embora suas expressões são efêmeras, momentâneas, transitórias. Gautama Buda, fundador do budismo, disse certa vez: "Nossa existência é transitórias como as nuvens do outono. Observar o nascimento e a morte do ser é como olhar os movimentos da dança. Um vida é como o brilho de um relâmpago no céu, Levada pela torrente montanha abaixo.". Paramos um instante para encontrar o outro, para nos conhecermos, para amar e compartilhar. É um momento precioso, embora transitório. Um pequeno parênteses na eternidade. Se partilharmos carinho, sinceridade, amor, criamos abundância e alegria para todos. Esse momento de amor é valioso.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Problemas Lingüísticos na Escritura do Discurso Científico

     1º) "Onde não texto, também não há objeto de pensamento".(Mikhail Bakthin); 2º) "A qualidade do Direito é inversamente proporcional à quantidade dos argumentos." (Jean Carcagne); 3º) "E é por isso, Senhor, que disseste, creio eu, tanto às águas quando aos homens: 'Crescei e multiplicai-vos' - Nessa benção, percebo que nos deste a faculdade, o poder de formular de muitas maneiras uma única idéia, e de compreender também de muitas maneiras uma fórmula única, mas obscura. - É assim que as águas do mar se povoam, e suas vagas simbolizam as diversas interpretações que podem receber das palavras. É assim também que a terra se povoa de gerações humanas; sua aridez se revela à sua paixão pela verdade, e está sujeita ao poder da razão." (Santo Agostinho - As Confissões - Livro XIII - Cap. 24).
     Sob esse título, Orlando Antunes Batista escreveu o manual - Edições Omnia, Gráfica Santo Antonio: Adamantina, 2002 - voltado para um uso prático e seu objetivo é o de determinar o valor do espaço da pesquisa e da reflexão dentro da Universidade. Diz o autor: "Nos tempos modernos, onde o Conhecimento se encontra em perene crise, as frinchas para as descobertas de regiões abissais estão à disposição do docente universitário. Infelizmente, os professores, em sua maioria, e o que é pior, em todos os níveis de ensino, não consideram a pesquisa como fundamento do ato de ensinar. Contudo, a despeito do panorama de transformação da mentalidade científica brasileira, elaboramos este manual para demonstrar que em terra de cego quem tem um olho tem a obrigação de contribuir para tirar a trave do olho alheio. [...] A reflexão foi elaborada a partir de uma concepção experimental, percebida em alguns elementos que não são operacionalizados no ensino da produção do texto dissertativo na área do gênero científico, seja ele artigo, monografia, dissertação ou tese. Foi pela pesquisa desses elementos que percebemos que o ato elaboracional da informação sofre uma entropia e a idéia é mal transmitida ao leitor do texto e foi em função desta má recepção da idéia por parte do consumidor do texto científico que propomos um modus operandi para modelar o perfil linguístico do produtor do ensino científico. Através de um comportamento didático perseguido ferrenhamente, e por vezes de modo enfadonho, lutamos por ultrapassar as dificuldades que cercam a modelagem da consciência hermenêutica em geral diante do momento da montagem do juízo crítico. [...] O objetivo do estudo é o de sistematizar as relações entre o método científico e o método linguístico durante a composição do texto dissertativo no gênero discursivo concebido enquanto ensaio. Procuramos alinhar a questão da Pragmática como ponto de convergência entre os dois métodos. Se torna intenção do autor do manual harmonizar do modo mais didático possível as interferências da teoria da informação com as questões discursivas durante a elaboração do discurso no texto científico visando atingir elevado grau de produtividade pessoal. Esta obra procura ser útil para a modelagem do comportamento do produtor do texto científico no campo do ensaísmo, na maioria das vezes, a orientação para o ato de comunicação no texto, visto que a construção de uma formação discursiva sempre fica a desejar no discurso científico e que nem sempre a Verdade é transmitida de forma exata na mensagem científica. Necessário se torna afirmar que algumas lacunas não foram preenchidas mas na totalidade dos problemas o que foi discutido servirá para doravante inserir uma fundamentação argumentativa mais sólida para a compreensão da estrutura do discurso científico.", adverte e pontua: "Os professores têm aspirações muito diversas. A pedagogia de domínio não interessará àqueles preocupados essencialmente com a renda, o status, a segurança do emprego, que não pretendem investir em sua própria profissão (...) Quanto aos que aderem ao modelo de competência profissional, só apreciarão a pedagogia de domínio se ela permitir que conservem grande parte de sua autonomia, de responsabilidade, de criatividade.", nas palavras de Philipe Perrenoud.  Na avaliação do Professor Doutor Olympio Correa de Mendonça: "O método científico e o método linguístico aplicados pragmaticamente para orientação de trabalhos escritos desde o ensaio científico, passando pelo artigo, monografia, dissertação ou tese, é o que encontramos na presenta obra, [...]. Trata-se de um manual com noções essenciais e aprofundadas sobre o tema, que vem suprir a demanda dos leitores não atendidos pelos manuais tradicionais que se mostraram no uso, esquemáticos, restritos e insuficientes. Tais esquemas não impediram, na elaboração de trabalhos escritos, a ocorrência de cópias, paráfrases, colagem de trechos, ao lado das meras transcrições, colchas de retalhos costuradas na internet. Para a superação deste problema o autor está presente ao longo desta obra como orientador, mostrando ao leitor e ao elaborador de texto científico os limites da "palavra-do-outro", da "palavra-alheia" e a sua transformação em "palavra-alheia-própria" e "palavra-minha". Através da reflexão sobre O ensaísta e o discurso, na Introdução e sobre a Criatividade e Estados estéticos do discurso científico até a Última parada, no Desenvolvimento, o autor explicita que só através da consciência dos problemas linguísticos recorrentes no texto, pode-se construir o "estado estético a ser projetado na estrutura do texto científico, visando torná-lo comunicativo e informativo ao mesmo tempo durante a escritura e transmissão da idéia". Este é mais um livro que vem à luz, [...] para consolidar o ensino, a pesquisa e a extensão de serviços à comunidade, bem como, pela difusão da ciência e da cultura em nossa região.". Apresentação feita, cabe ao estudioso interessado no aprimoramento do próprio trabalho ir à luta porque atarefa de escrever bem é uma tarefa árdua e inconclusa.